Novo Guia de Prevenção do Câncer de Colo do Útero é Lançado pela Fundação do Câncer

A Fundação do Câncer lançou um guia atualizado para a prevenção do câncer de colo do útero, introduzindo o teste molecular de DNA-HPV como método principal de rastreamento. A nova abordagem visa aumentar a eficácia na detecção precoce e melhorar as taxas de vacinação contra o HPV no Brasil.
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Matheus Nascimento

Atualizações visam facilitar a transição para novos métodos de rastreamento e vacinação contra HPV

A Fundação do Câncer apresentou recentemente uma versão revisada do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero, em alinhamento com o mês de conscientização sobre a doença, conhecido como Janeiro Verde. Esta nova edição surge em um contexto de importantes transformações nos métodos de rastreamento e vacinação contra o HPV (papilomavírus humano), o agente causador da infecção mais comum transmitida sexualmente no mundo.

Lançado inicialmente em 2022, o guia anterior focou na importância da vacinação contra o HPV e na realização do exame Papanicolau, que avalia a presença de alterações celulares como forma de detectar precocemente casos de câncer. Contudo, a atualização reflete uma mudança significativa nas diretrizes de rastreamento, com a introdução gradual do teste molecular de DNA-HPV, que substituirá o Papanicolau.

Flávia Miranda Corrêa, consultora médica da Fundação do Câncer, destacou as mudanças que ocorrerão até 2025. Entre elas, a ampliação da vacinação do público-alvo, que foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024. Desde setembro do ano passado, o Ministério da Saúde iniciou a implementação dos testes moleculares para a detecção do HPV oncogênico, que são os tipos do vírus com maior potencial de causar câncer de colo de útero.

O processo de implementação dos testes moleculares será gradativo, começando por 12 estados, com o objetivo de garantir que as novas diretrizes sejam seguidas de forma eficaz. Nos municípios onde o novo método ainda não foi introduzido, o Papanicolau continuará a ser utilizado, respeitando a transição necessária.

O guia atualizado está em conformidade com as novas Diretrizes Brasileiras de Rastreamento do Câncer de Colo do Útero, que foram aprovadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS. Essas diretrizes estabelecem que o teste de DNA-HPV será o principal método de rastreamento, já que este exame é mais eficaz em detectar a infecção por HPV antes que lesões cancerígenas se desenvolvam.

A nova abordagem de rastreamento foi projetada para abranger mulheres de 25 a 64 anos, mantendo a idade inicial de rastreamento em 25 anos, ao contrário de outros países que optaram por começar aos 30. Essa decisão visa evitar confusões ao utilizar simultaneamente os dois métodos de rastreamento em uma mesma unidade de saúde, o que poderia resultar em testes duplos para a mesma paciente.

A periodicidade dos exames também difere entre os métodos. O Papanicolau deve ser realizado a cada três anos após dois resultados negativos consecutivos, enquanto o teste de DNA-HPV, que possui uma sensibilidade maior, permite um intervalo de cinco anos entre os exames, proporcionando uma abordagem mais eficiente para a detecção precoce do câncer.

A identificação de infecções por HPV dos tipos 16 e 18, que são responsáveis por aproximadamente 70% dos casos de câncer de colo de útero, resulta em encaminhamentos imediatos para colposcopia, um exame que permite uma visualização ampliada do colo do útero e da vagina, facilitando a detecção de lesões precursoras. Para outros tipos de HPV oncogênico, a citologia reflexa será realizada, e caso apresentem anormalidades, a paciente também será encaminhada para colposcopia.

O Brasil se comprometeu com a Estratégia Global da OMS para a Eliminação do Câncer de Colo do Útero, estabelecendo metas até 2030 que incluem a vacinação de 90% das meninas até 15 anos, a realização de rastreamento em 70% das mulheres e o tratamento de 90% das pacientes diagnosticadas com lesões precursoras ou câncer.

A vacinação é considerada a forma mais eficaz de prevenção, e a queda nas taxas de imunização durante a pandemia gerou preocupação. O Programa Nacional de Imunização (PNI) está trabalhando para reverter essa situação, buscando vacinar adolescentes de 15 a 19 anos que ainda não receberam a vacina contra o HPV. A vacina quadrivalente, que protege contra os tipos mais associados ao câncer de colo de útero, é oferecida gratuitamente no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos.

A introdução do teste molecular de DNA-HPV representa um avanço significativo na detecção do câncer de colo do útero, com maior segurança e eficiência em comparação ao Papanicolau, que é mais suscetível a erros. Essa mudança aproxima o Brasil de países como a Austrália, que já obtiveram resultados expressivos após a adoção de métodos de rastreamento mais eficazes.

Os três pilares da estratégia de prevenção incluem: vacinação, rastreamento e tratamento oportuno, que garantem que as mulheres recebam o cuidado necessário de forma rápida. O tratamento adequado de lesões precursoras e acesso ao tratamento oncológico são cruciais para a efetividade das iniciativas de prevenção.

Além disso, a vacina está disponível para grupos prioritários, como pessoas vivendo com HIV/Aids e vítimas de abuso sexual, garantindo que esses grupos em risco tenham acesso à imunização. No entanto, mulheres de 20 a 45 anos que não se enquadram nesses grupos devem buscar a vacina no setor privado.

A inclusão de profissionais do sexo na vacinação contra HPV ainda é uma questão em debate, dada a sua maior vulnerabilidade ao vírus. A Fundação do Câncer está atenta a essa necessidade e pode considerar a inclusão desse grupo nas futuras políticas de vacinação.

A Fundação do Câncer disponibiliza o Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero em seu site, fornecendo informações essenciais para profissionais de saúde e para o público em geral sobre como prevenir e diagnosticar precocemente esta doença.

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