Decisão de abandonar organismos climáticos pode afetar economia e segurança dos americanos
A recente decisão do governo dos Estados Unidos de se retirar de importantes acordos internacionais, incluindo a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) e o Fundo Verde do Clima (GCF), está gerando preocupações sobre suas repercussões não apenas no cenário global, mas também sobre os próprios cidadãos americanos. O secretário-executivo da UNFCCC, Simon Stiell, declarou que essa movimentação é um grande retrocesso para a liderança climática dos EUA, que pode levar a um aumento no custo de vida para a população.
A UNFCCC, que organiza anualmente as Conferências das Partes (COP) sobre mudanças climáticas, foi um marco na luta global contra o aquecimento global. A última conferência, a COP30, ocorreu em Belém e destacou a urgência das ações climáticas. Stiell enfatiza que a saída dos EUA dessas iniciativas compromete não apenas a cooperação internacional, mas também os interesses econômicos do país. Com a intensificação de desastres naturais como incêndios florestais e inundações, a situação se torna ainda mais crítica.
A decisão de Donald Trump de se afastar do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e do GCF, que desempenham papéis essenciais na formulação de políticas climáticas e no financiamento de projetos sustentáveis, foi recebida com forte reação. O IPCC reúne renomados cientistas globais que avaliam e relatam sobre as mudanças climáticas, enquanto o GCF é crucial para financiar iniciativas que visam mitigar os efeitos das mudanças climáticas, principalmente em países em desenvolvimento.
A retirada dos EUA de 66 instituições internacionais, conforme anunciado, é vista como um golpe contra a credibilidade americana em um momento em que a colaboração global é mais necessária do que nunca. O Instituto Talanoa, uma ONG brasileira, destacou que essa ação não determinará o futuro da governança climática, mas poderá resultar em custos altos em termos de coordenação e ambição, especialmente se outros países seguirem o exemplo dos EUA.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, justificou a saída do GCF ao afirmar que o fundo é uma organização radical e que o país não financiará mais iniciativas que, segundo ele, desconsideram a importância de uma energia acessível e confiável para o crescimento econômico. Essa visão reflete uma postura que ignora a crescente realidade de que energias renováveis estão se tornando mais baratas e viáveis em comparação com os combustíveis fósseis.
Com a saída dos EUA desses organismos, o impacto será sentido em várias frentes. Especialistas preveem que isso resultará em um encarecimento dos preços de energia, alimentos e seguros, afetando diretamente o cotidiano das famílias americanas. A diminuição do financiamento climático internacional também poderá comprometer projetos que buscam adaptar e mitigar os efeitos das mudanças climáticas, deixando os EUA mais vulneráveis a desastres naturais.
Em resumo, a decisão dos Estados Unidos de se retirar de acordos climáticos pode ter consequências devastadoras não apenas para a economia do país, mas também para sua segurança e prosperidade a longo prazo. A falta de liderança americana em questões climáticas coloca em risco o progresso global e destaca a necessidade de uma resposta rápida e coordenada por parte de outras nações.







