Gustavo Petro Expressa Temor de Captura pelos EUA Após Caso de Maduro

Gustavo Petro expressou preocupações sobre uma possível captura pelos Estados Unidos, semelhante ao que ocorreu com Nicolás Maduro. Ele ressaltou a importância do diálogo interno na Venezuela e a necessidade de unidade do povo venezuelano para enfrentar a crise.
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Matheus Nascimento

O presidente colombiano revela preocupações sobre a relação com os Estados Unidos e a situação política na Venezuela

Na última sexta-feira, 9 de janeiro, Gustavo Petro, presidente da Colômbia, compartilhou sua apreensão em relação a uma possível captura pelos Estados Unidos, comparando sua situação à de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, que foi detido no último final de semana. Em uma entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, Petro afirmou que o diálogo recente com o presidente americano, Donald Trump, poderia ter ajudado a reduzir a tensão entre os dois países.

“Sem dúvida”, respondeu Petro ao ser questionado sobre seu temor de que seu futuro político pudesse seguir o mesmo caminho do líder venezuelano. Ele enfatizou que qualquer presidente do mundo pode ser alvo de remoção se não se alinhar aos interesses de potências como os Estados Unidos. “Nicolás Maduro ou qualquer presidente do mundo pode ser tirado [de seu governo] se não se alinhar com certos interesses”, destacou.

Petro revelou que durante a conversa telefônica com Trump, realizada na quarta-feira, 7 de janeiro, o presidente dos EUA mencionou a possibilidade de realizar ações militares na Colômbia, o que aumentou suas preocupações. “A mensagem [de Trump] era que eles já estavam preparando algo, planejando uma operação militar”, afirmou o presidente colombiano.

Após o contato com Trump, Petro disse acreditar que as ameaças se “congelaram”, embora tenha reconhecido a possibilidade de estar errado. O presidente colombiano, no entanto, não tomou medidas adicionais para reforçar sua segurança, ressaltando que o país carece de defesas aéreas adequadas para enfrentar um ataque, uma vez que a maioria dos conflitos é de natureza interna, envolvendo guerrilheiros sem acesso a armamentos avançados como os caças F-16.

“Aqui nem sequer existe defesa aérea. Nunca foi adquirida porque os combates são internos. O que usamos aqui é a defesa popular e é por isso que convoquei a resistência popular na quarta-feira”, enfatizou Petro, ressaltando a confiança que deposita em seu povo como sua principal proteção.

A situação na Venezuela também foi um tema central da conversa, especialmente após a detenção de Maduro, que foi sequestrado pelos EUA e levado a julgamento em Nova York. Com a vice-presidente Delcy Rodríguez assumindo o cargo interino, Petro afirmou ter mantido contato com ela e expressou sua preocupação com a pressão que ela enfrenta, tanto interna quanto externamente. O presidente colombiano destacou a importância de unir o povo venezuelano para evitar a colonização e promover uma solução política para a crise.

“Se o povo estiver dividido, haverá colonização. Se eles se unirem e buscarem uma solução política para esse problema que é evidente, poderão avançar”, avaliou. Durante a entrevista, Petro também comentou sobre o alinhamento de sua posição em relação à Venezuela com as propostas levantadas por figuras políticas dos EUA, como Marco Rubio. No entanto, ele enfatizou que mudanças não podem ser impostas de fora e devem emergir de um diálogo interno entre os venezuelanos, com o papel dos Estados Unidos sendo o de facilitar essa conversa, juntamente com outros países da América Latina.

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