ExxonMobil descarta investimento na Venezuela sob condições atuais

O CEO da ExxonMobil, Darren Woods, afirmou que a Venezuela é inviável para investimentos devido a questões legais e comerciais. A empresa, que já teve presença no país, destaca a necessidade de mudanças significativas para considerar um retorno ao mercado venezuelano.
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Matheus Nascimento

CEO da gigante petrolífera americana alerta para inviabilidade de negócios no país devido a questões legais e comerciais

Em um encontro recente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o CEO da ExxonMobil, Darren Woods, expressou sua opinião sobre a atual situação do setor petrolífero na Venezuela, afirmando que o ambiente de negócios do país é considerado inviável para investimentos. Durante a reunião, realizada na última sexta-feira (9), Woods destacou que as estruturas legais e comerciais vigentes na Venezuela dificultam qualquer iniciativa de investimento por parte da empresa.

“Ao analisarmos as condições atuais, fica evidente que a Venezuela não é um local atrativo para investimentos”, declarou Woods. Essa avaliação foi divulgada em uma postagem oficial na página da ExxonMobil, uma das maiores empresas do setor petrolífero mundial.

A Venezuela, que já foi um dos principais produtores de petróleo do mundo, responde atualmente por menos de 1% do mercado global. Essa queda drástica é atribuída a uma série de fatores, incluindo a deterioração das condições políticas e econômicas do país. Woods reforçou que, para que a ExxonMobil considere retornar ao país, é necessário que haja mudanças significativas na legislação comercial e no sistema jurídico venezuelano.

“É crucial que existam proteções duradouras para os investimentos feitos por empresas estrangeiras, além de uma revisão das leis de hidrocarbonetos existentes”, ressaltou o CEO. A ExxonMobil, que teve sua primeira entrada na Venezuela na década de 1940, se retirou do país há 20 anos devido a problemas relacionados à segurança e à propriedade de ativos, enfrentando o confisco de seus bens duas vezes.

Woods também mencionou a possibilidade de enviar uma equipe ao país, caso receba um convite formal do governo venezuelano e garantias de segurança. “Acredito que podemos ajudar a levar o petróleo bruto venezuelano ao mercado internacional a preços justos, o que poderia contribuir para a recuperação financeira do país”, afirmou.

No entanto, o CEO enfatizou que o sucesso nesse processo depende de uma cooperação efetiva entre os governos dos Estados Unidos e da Venezuela. “Não temos uma opinião firme sobre o governo venezuelano atualmente”, disse Woods, fazendo referência aos desafios que a empresa enfrentou no passado.

Ele apontou que os recursos petrolíferos são uma fonte vital de receita que pode beneficiar tanto a população local quanto a ExxonMobil, ressaltando a necessidade de ser bem-vindo no país. “Precisamos estabelecer boas relações e ser vistos como bons vizinhos”, completou.

A situação da indústria petrolífera na Venezuela é um tema complexo, envolvendo questões políticas, econômicas e sociais. A falta de investimento e a deterioração da infraestrutura têm impactado diretamente a produção e a exportação de petróleo no país, que enfrenta um colapso econômico sem precedentes.

Com um histórico de restrições e sanções, a Venezuela se vê em um dilema, onde a atração de investimentos estrangeiros é fundamental para a recuperação de sua economia, mas as condições atuais afastam potenciais investidores.

A declaração de Woods reflete um sentimento mais amplo no setor, onde empresas estão cautelosas em relação à estabilidade e à segurança jurídica antes de considerar investimentos significativos em territórios como a Venezuela.

A ExxonMobil, ao abordar a possibilidade de um retorno, aponta para a necessidade de uma nova abordagem que possa assegurar a proteção dos investimentos e a viabilidade comercial, essencial para a confiança de investidores no país.

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