Marquês de Sapucaí Celebra a Glória e a Pluralidade Africana na Avenida

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Matheus Nascimento

A Marquês de Sapucaí protagonizou um desfile memorável no Carnaval 2026, transformando a Passarela do Samba em um tributo à ancestralidade. Com o enredo “Herança Africana – A diversidade de um continente pluricultural na cultura brasileira”, concebido pelo carnavalesco Kiro Panovitch, a escola exaltou uma África vibrante, reafirmando o continente como a base estruturante da identidade nacional.

Símbolos de Luta e Resistência

A agremiação, composta por 550 integrantes e 18 alas, iniciou sua jornada com a comissão de frente “Kizomba – A festa de uma raça”, que simbolizou a união e a força do povo negro.

  • Casal de Destaque: O primeiro mestre-sala e a porta-bandeira personificaram os líderes Zumbi dos Palmares e Dandara, elevando o tom de liberdade e combate à opressão que permeou toda a apresentação.

Espiritualidade e Ritmo Sagrado

A bateria “O Afoxé”, sob a batuta de 70 instrumentistas, trouxe a cadência do ijexá para a avenida, criando uma atmosfera de celebração às tradições de matriz africana.

  • Panteão dos Orixás: Setores inteiros foram dedicados às divindades como Exu, Ogum, Iemanjá, Xangô, Oxum e Oxalá.

  • Sustentabilidade: A riqueza visual foi alcançada através de um uso inteligente de materiais sustentáveis e tecidos nobres, traduzindo a força espiritual em arte têxtil.

O Legado no Cotidiano e na Mesa

A escola também explorou as marcas da África no dia a dia do brasileiro:

  • Sabores Ancestrais: A Ala das Baianas prestou homenagem à culinária, destacando o acarajé, o calulu e a importância das mulheres negras na preservação desses saberes.

  • Manifestações Culturais: Grupos dedicados à capoeira, congada, maracatu e bumba meu boi demonstraram como o DNA africano se manifesta em nossas maiores festas populares.

O Triunfo do Samba

O encerramento foi marcado pela imponente alegoria “Suas Majestades: o Samba e o Carnaval”. Em uma explosão de cores, o carro confirmou o batuque africano como o verdadeiro pai do samba, unindo o passado ancestral ao presente festivo de Corumbá.

Ao cruzar a linha de chegada, a Marquês de Sapucaí deixou um rastro de orgulho e consciência, celebrando uma herança que, mais do que história, é a própria vida do povo brasileiro.

Foto: Renê carneiro

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