Leandro Safatle assume a presidência da Anvisa em um momento de transformação e promete foco em inovações nacionais e agilidade nas análises.
Em agosto de 2025, o Senado Federal do Brasil confirmou novos integrantes para a diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), incluindo o economista Leandro Safatle como novo diretor-presidente. Safatle chega ao cargo em um contexto desafiador, onde as inovações em saúde proliferam, mas a velocidade dos processos de análise e aprovação na Anvisa ainda é considerada lenta.
Em entrevista à Agência Brasil, Safatle abordou a relevância das inovações desenvolvidas no Brasil e a necessidade de otimizar as filas de análise da agência. “Ainda precisamos de muitas inovações que vêm de fora, mas agora estamos também lidando com pesquisas desenvolvidas internamente”, destacou.
Recentemente, a Anvisa deu um passo significativo ao autorizar a fase inicial de estudos clínicos com a polilaminina, um medicamento nacional focado no tratamento de lesões na medula espinhal. O desenvolvimento deste medicamento é um exemplo claro do potencial da pesquisa nacional, conduzida por cientistas de universidades públicas. Safatle enfatizou que, ao aprovar a fase 1, o próximo passo será avaliar a segurança do produto com um grupo inicial de cinco pacientes. O sucesso nessa etapa poderá levar a fases subsequentes, onde se avaliará a eficácia do tratamento.
Além disso, o novo presidente da Anvisa anunciou o lançamento do Comitê de Inovação, que se dedicará a monitorar projetos inovadores prioritários para a saúde pública. Este comitê já identificou quatro produtos relevantes: a polilaminina, uma vacina contra o Chikungunya, o método Wolbachia para controle da dengue e endopróteses. O objetivo é garantir que esses projetos recebam a atenção necessária para que suas análises sejam conduzidas da melhor maneira possível.
Em relação à fila de análises processuais, a Anvisa implementou medidas excepcionais para reduzir a espera pela metade em até seis meses e normalizar os pedidos dentro de um ano. Safatle explicou que as novas estratégias envolvem força-tarefa interna e a utilização de dados de estudos clínicos realizados em outros países, um processo conhecido como “reliance”. Isso visa acelerar a análise de medicamentos, vacinas e dispositivos médicos.
A transparência também é uma prioridade, com a criação de uma sala de situação que acompanhará a evolução das filas de maneira diária. As medidas não implicam em relaxamento das normas de segurança, mas sim em uma gestão otimizada dos processos.
A Anvisa também está se preparando para uma qualificação internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS), buscando o reconhecimento como uma agência de referência na América Latina e no mundo. Safatle acredita que essa qualificação é crucial para a credibilidade da Anvisa e para a saúde pública brasileira.
O novo presidente, ao abordar a importância do rigor técnico, afirmou que a segurança sanitária continuará a ser uma prioridade. Em 2026, a agência almeja ser reconhecida internacionalmente, o que representa um importante passo em direção ao fortalecimento da saúde no Brasil e na região.
Assim, a gestão de Leandro Safatle na Anvisa se apresenta como um marco de renovação, com ênfase na inovação nacional e na eficiência dos processos, visando atender melhor as demandas de saúde da população brasileira.







