Líderes europeus celebram avanço nas negociações após 25 anos, mas desafios permanecem.
Na última sexta-feira, 9 de fevereiro, a conclusão provisória das negociações do acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul trouxe ânimo a líderes europeus e representantes do setor empresarial. O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, destacou em suas redes sociais que o acordo representa um marco na política comercial europeia, enfatizando a importância da soberania estratégica da região. No entanto, a oficialização do pacto ainda aguarda a ratificação do Conselho da UE.
Merz expressou sua satisfação, afirmando que, após 25 anos de negociações, é essencial que a Europa avance de maneira mais ágil em suas iniciativas comerciais. A ministra das Relações Exteriores da Áustria, Beate Meinl-Reisinger, também manifestou sua empolgação, mesmo após seu país ter votado contra a iniciativa. Ela ressaltou que a Áustria precisa desenvolver parcerias comerciais mais robustas, especialmente com nações como a Índia, para se adaptar às mudanças na ordem global.
Por outro lado, a Polônia, representada pelo ministro da Agricultura, Stefan Krajewski, expressou preocupações sobre o impacto do acordo sobre a agricultura local. Krajewski lamentou a ausência de apoio de outros países como a Itália e destacou que o Parlamento polonês já está discutindo mecanismos para proteger seus agricultores e garantir compensações. Essa posição reflete a complexidade das negociações, onde interesses locais e regionais devem ser equilibrados com os benefícios do comércio internacional.
A Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (Acea) elogiou a aprovação do acordo, considerando-a um passo significativo para manter uma economia europeia forte e aberta ao comércio. A entidade prevê que a assinatura do pacto poderá reduzir drasticamente as tarifas sobre automóveis produzidos na UE, além de facilitar o comércio entre os dois blocos. A Acea apelou para que os políticos do Parlamento Europeu ratifiquem rapidamente o acordo, para que os setores envolvidos possam colher os benefícios comerciais e estratégicos o quanto antes.
Os embaixadores dos 27 Estados-membros da UE se reuniram para discutir a posição de seus governos, e a expectativa é que cada país formalize seu voto até o final do dia. Estima-se que ao menos 15 países, que representam mais de 65% da população do bloco europeu, já tenham votado a favor do acordo, o que abriria caminho para a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viajar ao Paraguai na próxima semana para concretizar o acerto com os países do Mercosul.
A aprovação final do acordo ainda depende do Parlamento Europeu, que precisará ratificá-lo para que entre em vigor. A expectativa é que, se todos os trâmites forem seguidos, o acordo poderá trazer novas oportunidades econômicas tanto para a Europa quanto para os países do Mercosul, que incluem Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Os próximos passos serão fundamentais para garantir que os benefícios prometidos se tornem realidade, enquanto se busca um equilíbrio entre os interesses comerciais e as necessidades locais.







