Estação Primeira do Pantanal Exalta Raízes Africanas em Desfile de Resistência

Picture of Matheus Nascimento

Matheus Nascimento

Segunda agremiação a cruzar a Passarela Pantaneira, a GRES Estação Primeira do Pantanal apresentou um espetáculo focado na ancestralidade e no vigor das heranças africanas. Sob o enredo “Entrelaços: Heranças Ancestrais”, a escola reuniu aproximadamente 800 componentes e 17 alas para construir um manifesto visual e cultural sobre a formação da identidade do Brasil.

A Travessia e a Memória da Dor

O início da apresentação, intitulado “A Travessia”, trouxe uma carga emocional elevada. A comissão de frente utilizou a figura da Grande Calunga para simbolizar o oceano como um espaço de espiritualidade e sofrimento.

  • Destaque Visual: Um carro alegórico representando o navio tumbeiro impactou o público, retratando a resiliência do povo escravizado durante o tráfico transatlântico.

  • Pavilhão: O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira conduziu a bandeira da escola com uma coreografia que reforçava a conexão com os antepassados.

Fé, Sabor e Ritmo

No segundo setor, a Estação Primeira celebrou a herança viva no cotidiano brasileiro. As alas exploraram:

  • Gastronomia e Religião: Referências a pratos tradicionais, ervas de cura e o sincretismo religioso.

  • Alegoria dos Orixás: Um carro dedicado às divindades e lideranças espirituais da comunidade.

  • Coração da Escola: A bateria, composta por 60 ritmistas, manteve uma cadência precisa, acompanhando a rainha que simbolizou a união entre sabedoria e resistência.

O Legado Cultural e o Manifesto Final

O encerramento do desfile foi uma explosão de ritmos, celebrando manifestações como o lundu, a capoeira e o próprio samba. Mais do que uma festa, as alas finais funcionaram como um posicionamento contra o preconceito, exaltando a contribuição negra nas artes e na música.

A jornada culminou no carro “Entrelaços”, que uniu o ontem e o hoje. A alegoria sintetizou a mensagem central da agremiação: o Carnaval como uma ferramenta de memória coletiva e uma ferramenta de luta pela valorização da cultura afro-brasileira.

Foto: ayton beniters

Minha Rádio
AO VIVO