No coração do Pantanal, a cidade de Corumbá testemunha um dos eventos culturais mais vibrantes do Centro-Oeste: seu tradicional Carnaval. Este ano, mais uma vez, a celebração se mostrou um cenário de resistência e tradição, onde crianças, adolescentes e idosos se reúnem em uma grande festa popular. No entanto, nem tudo são folias e brilhos. O evento enfrenta desafios significativos em termos de financiamento e reconhecimento, suscetíveis de comprometer seu papel crucial na economia local e seu legado cultural.
O Carnaval como Motor Econômico
A parlamentar Camila Jara que estava na festa destacou a importância econômica do Carnaval de Corumbá, afirmando que “o Carnaval traz investimentos e faz a economia da cidade movimentar“. De fato, eventos culturais desse porte não só atraem turistas como também geram empregos e impulsionam o comércio local, impactando positivamente na receita da cidade. Apesar disso, o aporte financeiro destinado a Corumbá é três vezes menor do que aquele dado à capital, Campo Grande, uma discrepância que levanta questões sobre as prioridades estaduais em relação à cultura.
Uma Inversão de Valores
Segundo Camila Jara, há uma visível “inversão de valores e lógicas“, onde a cultura não é vista como um investimento prioritário por vários governos na atualidade. Essa visão, aparentemente limitada do impacto da cultura, desconsidera o potencial de desenvolvimento socioeconômico que eventos como o Carnaval oferecem. Ela enfatizou a necessidade de um planejamento que reconheça estes eventos culturais não apenas como entretenimento, mas como parte intrínseca do desenvolvimento regional.
Comparações com o Carnaval de Campo Grande
A comparação inevitável surge com o Carnaval de Campo Grande, um evento que, segundo a parlamentar, recebe mais foco e investimentos. “Eu sou uma das parlamentares que mais destina emenda para o Carnaval de Campo Grande“, afirmou CAMILA, destacando como a mudança na lógica de desenvolvimento da cidade através destes investimentos significou um impulso econômico para a região. A parlamentar expressa a esperança de que o governo expanda esse modelo de sucesso para Corumbá para também alavancar o potencial econômico da região.
A Busca por Investimentos Federais
Inspirando-se em exemplos como os investimentos federais na LIESA, no Rio de Janeiro, a parlamentar convoca uma ação semelhante em prol de Corumbá. “Quem sabe a gente consiga colocar ele na rota prioritária e plantear investimentos para a Liga de Corumbá“, sugeriu, preenchendo o discurso com uma visão otimista para o futuro dos investimentos culturais na cidade.
A parlamentar também expressou sua determinação em “lutar unhas e dentes” para garantir esses investimentos no próximo ano. Seu comprometimento se estende até à promessa de, caso os recursos não sejam angariados, participar do Carnaval de Corumbá com uma faixa mostrando a razão da falta de apoio.
No discurso, foi feito um chamado direto ao governador Eduardo Riedel para reconsiderar as prioridades do estado em termos de desenvolvimento cultural. A parlamentar acredita que “a partir do momento que a gente vê o Carnaval como uma parte do desenvolvimento regional, a gente passa a investir mais“. A intenção é garantir que as riquezas culturais de Corumbá não sejam apenas uma herança, mas também um vector de crescimento econômico e social.
O evento também se revelou uma rara oportunidade de debate público sobre o papel da cultura no desenvolvimento regional e a necessidade de uma política de apoio que seja equitativa e sustentável.
O Futuro do Carnaval de Corumbá
Ainda que o desafio seja grande, existe otimismo. A força comunitária vista nas ruas de Corumbá durante o Carnaval é uma prova do envolvimento local e da paixão pela preservação e expansão dessa tradição.
“Contem comigo, estou à disposição”, afirmou Camila, garantindo que continuará a lutar por melhorias estruturais e econômicas para garantir que o Carnaval de Corumbá receba o reconhecimento e a sustentação financeira que merece.
Em última análise, o futuro do Carnaval de Corumbá pode depender dessa mudança estratégica e de uma reavaliação das políticas culturais do estado. Com planejamento e investimentos adequados, o evento tem o potencial de se afirmar não apenas como uma celebração cultural, mas também como um pilar econômico vital para a região do Pantanal.
Entrevista: Pedro Paulo Miranda Pepê Reportagem: Matheus Nascimento – Fotos: Matheus Nascimento / Cleiton Valdonado







