Vacina contra herpes-zóster não será incorporada ao SUS, decide Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde decidiu que a vacina contra herpes-zóster não será incorporada ao SUS devido ao seu alto custo e baixa efetividade. A possibilidade de reavaliação permanece para futuros estudos e dados que possam justificar sua inclusão.
Picture of Matheus Nascimento

Matheus Nascimento

Portaria oficializa a decisão, que se baseia em custos e eficácia do imunizante

Logo Agência Brasil
Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

A vacina para a prevenção de herpes-zóster não será incluída no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo decisão recente do Ministério da Saúde, formalizada em portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Um relatório da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) indicou que o custo da vacina é elevado em relação ao seu potencial impacto no controle da doença. O documento, que pode ser acessado online, detalha a análise de viabilidade econômica do imunizante.

Notícias relacionadas:

A vacina adjuvada recombinante é destinada a pessoas com 80 anos ou mais e a indivíduos imunocomprometidos a partir de 18 anos.

“Embora o Comitê de Medicamentos reconheça a relevância da vacina na prevenção do herpes-zóster, é necessário negociar um preço que possibilite a inclusão do imunizante no SUS, levando em conta a sustentabilidade orçamentária”, conforme o relatório.

O estudo também apresentou uma estimativa de custos, considerando a vacinação de 1,5 milhão de pessoas anualmente. O custo anual seria de R$ 1,2 bilhão, com um total de R$ 5,2 bilhões após cinco anos, levando à conclusão de que a vacina não é custo-efetiva.

Segundo a portaria, a possibilidade de reavaliação da vacina permanece aberta, caso novas informações sejam apresentadas que possam alterar os resultados da análise realizada.

Entendendo o herpes-zóster

O herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo que provoca a catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece dormente no organismo e pode se reativar, especialmente em idosos ou pessoas com o sistema imunológico comprometido.

Os sintomas iniciais incluem queimação, coceira, sensibilidade na pele, febre baixa e cansaço. Após um ou dois dias, surgem manchas vermelhas que evoluem para bolhas líquidas, as quais podem se romper e formar crostas. As lesões tendem a surgir de um lado do corpo, seguindo o trajeto de um nervo, o que caracteriza a doença. Essa fase dura de duas a três semanas.

Conforme o relatório da Conitec, o herpes-zóster geralmente se resolve por conta própria, mas pode levar a complicações graves, afetando a pele, o sistema nervoso, além de causar problemas nos olhos e ouvidos.

Tratamento pelo SUS

Para casos leves, o SUS oferece tratamento sintomático, que inclui medicamentos para alívio da dor, febre e coceira, além de orientações de cuidado com a pele. Para os casos de maior risco, como em idosos e pessoas imunocomprometidas, é indicado o antiviral aciclovir.

Dados do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS) e do Sistema de Internações Hospitalares (SIH/SUS) mostram que entre 2008 e 2024, foram registrados 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações relacionadas ao herpes-zóster no Brasil.

Além disso, conforme o Sistema de Informações sobre Mortalidade do SUS, de 2007 a 2023, 1.567 óbitos foram registrados devido à doença, resultando em uma taxa de mortalidade de 0,05 por 100 mil habitantes. A maioria das mortes ocorreu em pessoas com mais de 50 anos, sendo 53,4% delas em idosos com mais de 80 anos.

Minha Rádio
AO VIVO