Venezuela inicia diálogo para restabelecer relações com os EUA após crise diplomática

A Venezuela anunciou a retomada de diálogos diplomáticos com os Estados Unidos, após um período de tensões e acusações de agressões. O governo venezuelano busca abordar questões de soberania e segurança no processo de reestabelecimento das relações bilaterais.
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Matheus Nascimento

Chanceler venezuelano anuncia processo para retomar relações e abordar questões de soberania e segurança.

A Venezuela anunciou, nesta sexta-feira (9), que dará início a um “processo exploratório diplomático” com os Estados Unidos, com o objetivo de restabelecer as relações bilaterais que foram rompidas em 2019. O chanceler Yván Gil divulgou um comunicado no qual detalha que a reabertura do diálogo abordará questões como as alegações de “agressão” e o suposto sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, ocorrido no último sábado (3). O comunicado surge em um contexto tenso, logo após a invasão militar dos EUA em solo venezuelano.

No comunicado, o governo da Venezuela denunciou o que classifica como uma “agressão criminosa e ilegítima” contra seu território, que teria causado a morte de mais de uma centena de civis e militares. O texto enfatiza que o sequestro de Maduro representa uma grave violação das normas internacionais e da imunidade dos chefes de Estado. A Venezuela busca, através do diálogo, abordar essa situação sob a ótica do direito internacional e dos princípios de soberania nacional, promovendo uma diplomacia em prol da paz.

A gravidade do sequestro foi reconhecida pelo Brasil, durante uma reunião do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA). O embaixador brasileiro Benoni Belli alertou que o atual momento evoca tempos de conflito na América Latina, ressaltando a necessidade de uma resposta internacional a esse tipo de agressão. Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com líderes regionais, incluindo o presidente colombiano Gustavo Petro, para discutir a situação.

Ambos mandatários expressaram preocupação com o uso da força militar contra a Venezuela, reconhecendo que tal ação viola o direito internacional e a soberania do país. O Palácio do Planalto destacou que essas manobras representam um risco significativo para a paz regional e a ordem internacional.

Em paralelo, o Senado dos Estados Unidos aprovou uma resolução que proíbe o uso da força militar contra a Venezuela sem a devida autorização do Congresso. O documento prevê que o presidente dos EUA deve cessar qualquer operação militar hostil contra o país sul-americano, a menos que uma declaração de guerra seja aprovada.

Donald Trump, em entrevista ao The New York Times, afirmou que os Estados Unidos têm a capacidade de controlar a receita do petróleo venezuelano por vários anos, mencionando que já se apropriaram de 50 milhões de barris que seriam destinados ao refino e venda. Essa situação levanta questões sobre a verdadeira motivação por trás das ações dos EUA na região e seus impactos nas relações internacionais.

O restabelecimento das relações diplomáticas entre Venezuela e Estados Unidos, que já se mostraram tensas nos últimos anos, poderá representar um novo capítulo nas relações da América Latina com o gigante do norte, ao mesmo tempo em que evidencia a fragilidade da segurança e soberania na região.

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